BNDES tem R$ 1,17 bi a receber de Eike Batista em 2013

24/07/2013 10:21

Os valores foram calculados com base nos contratos firmados entre 2009 e 2012 na gestão do atual presidente do banco, Luciano Coutinho

Eduardo Bresciani, do

Jonathan Alcorn/ Bloomberg

Eike Batista, CEO da EBX

Eike Batista: os financiamentos concedidos pelo BNDES ao grupo do empresário ultrapassam os R$ 10 bilhões

Brasília - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem a receber pelo menos R$ 1,17 bilhão de empresas ligadas ao empresário Eike Batista até o fim do ano.

Outros R$ 683 milhões vencem em 2014. Os valores foram calculados com base nos contratos firmados entre 2009 e 2012 na gestão do atual presidente do banco, Luciano Coutinho, aos quais a reportagem teve acesso.

Os documentos foram enviados ao Congresso Nacional pela própria instituição. A conta inclui apenas o valor principal da dívida e não considera juros e eventuais taxas a serem cobradas das companhias.

No início da semana passada, o jornal revelou que as empresas ligadas ao empresário foram beneficiadas pelo banco com postergação de prazos, mudanças nos cálculos de conta de reserva e adiamento da data para o cumprimento de exigências técnicas.

Na ocasião, o BNDES justificou que as condições ofertadas aos negócios de Eike Batista não foram excepcionais, já que os mesmos benefícios foram ofertados a outros grupos.

A informação sobre as pesadas obrigações de empresas do grupo EBX com o banco público chegam num momento em que a capacidade de pagamento do grupo está sendo posta em xeque pelo mercado, que questiona a saúde de algumas companhias, em especial a petrolífera OGX.

Além da forte queda em suas ações, a petrolífera viu títulos da dívida negociados a 20% do valor de face no início do mês, mostrando que os investidores veem um alto risco de calote da OGX.

Empréstimos

Os financiamentos concedidos pelo BNDES ao grupo ultrapassam os R$ 10 bilhões. De acordo com os contratos, R$ 918 milhões deveriam ter sido quitados até junho deste ano.

Um total de R$ 1,856 bilhão vence até o fim de 2014. O restante da dívida deve começar a ser paga a partir de 2015 e há contrato prevendo a quitação total apenas em 2034.

Dos 15 empréstimos, em apenas um não há previsão de pagamentos ou amortizações até o fim do próximo ano, enquanto outro deveria ter sido quitado em março passado.

A alta concentração de pagamentos no segundo semestre decorre da previsão de quitação de dois contratos. Segundo os documentos, um financiamento de R$ 400 milhões para a OSX Construção Naval deve ser pago no mês que vem e outro de R$ 518,5 milhões para a LLX Açu Operações Portuárias vence em setembro.

A OSX informou apenas que seu novo plano de negócios prevê escalonamento na implantação do estaleiro no Rio de Janeiro e que “sua gestão financeira inclui o equacionamento de dívidas de curto prazo, cujo cronograma de vencimentos vem sendo quitado ou reescalonado”.

Não foi respondida de forma objetiva a pergunta sobre eventuais alongamentos de dívida concedidos pelo BNDES. A LLX não quis comentar.

Prestações

Em outros três contratos há a previsão de amortizações a partir deste mês. São os acordos firmados pelo banco com a MPX Pecém II Geração de Energia, UTE Parnaíba e UTE Porto do Itaqui, duas empresas que têm a MPX como principal sócia.

O contrato da MPX Pecém II prevê quitação de parcelas mensais de R$ 3,8 milhões a partir deste mês, enquanto o da UTE Parnaíba prevê pagamentos mensais de R$ 4 milhões.

No caso da UTE Porto do Itaqui, o pagamento é por meio de parcelas anuais de R$ 17,2 milhões. Como o Estado mostrou, a previsão inicial era de que as amortizações ocorressem a partir de 2012, mas um aditivo prorrogou o início do pagamento para julho de 2013. A MPX não quis comentar.

Outros seis empréstimos preveem pagamentos e amortizações desde o ano passado, enquanto outro previa a quitação em março deste ano. Nenhum aditivo consta dos documentos enviados ao Congresso em maio. Conforme esses contratos, o grupo de Eike já deveria ter pago ao BNDES até o mês passado R$ 918 milhões.

Em dois financiamentos, as empresas do grupo devem fazer pagamentos a partir de 2014, ambos da MMX Porto Sudeste, nos valores de R$ 450 milhões e R$ 484,4 milhões. A empresa deverá pagar no próximo ano R$ 95,2 milhões.

A MMX foi a única do grupo a falar sobre os pagamentos. Informou que faz amortizações desde 2012, uma vez que a empresa abarcou as operações da LLX Sudeste, cujos contratos com BNDES totalizam R$ 1,2 bilhão. Não foram informados, porém, os valores quitados.

 

Últimas Notícias

Petrobras cria precedente perigoso ao não pagar dividendo

19/05/2015 21:23
Paulo Whitaker/Reuters Logo da Petrobras em frente prédio da companhia: a Petrobras informou que não pagaria dividendos para preservar o caixa Paula Arend Laier, da REUTERS São Paulo - O não pagamento de dividendos pela Petrobras aos acionistas preferencialistas pode...

Lula abriu Cuba às empresas brasileiras, diz Odebrecht

05/05/2015 21:32
Adalberto Roque/AFP Vista do porto cubano de Mariel: a Odebrecht liderou a construção do porto, um investimento de US$ 1 bilhão na ilha Blake Schmidt e Michael Smith, da Bloomberg O CEO da Odebrecht SA, Marcelo Odebrecht, disse que o conglomerado brasileiro de sua...

Petrobras termina 2014 com 5.200 funcionários a menos

26/04/2015 18:51
REUTERS/Sergio Moraes A queda mais expressiva de funcionários terceirizados deve ser explicada pela decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de investimentos em 2014 André Magnabosco, do Estadão Conteúdo São Paulo - A crise que atingiu a Petrobras no ano passado colocou fim a uma...

Mastercard quer atingir milhões com acordo com Banco Mundial

23/04/2015 19:41
REUTERS/Soe Zeya Tun MasterCard: esse é um passo da estratégia da empresa de universalizar o acesso financeiro até 2020 Karin Salomão, de EXAME.com São Paulo - A MasterCard firmou uma parceria com uma instituição do Banco Mundial para atingir milhões de pessoas que ainda não têm...

OGPar depende de acordo com donos de plataformas

14/04/2015 21:29
Divulgação Plataforma de petróleo da OGX: segundo o presidente da empresa, a OGPar a empresa precisa fechar com urgência a negociação com os donos dos direitos de aluguel das plataformas Mariana Sallowicz, do Estadão Conteúdo Rio - Após fechar novo acordo na semana passada com os...

Fundos estrangeiros reduzem aplicação em ativos brasileiros

04/04/2015 15:00
FreeImage Dólar: expectativa de elevação dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, vem provocando realocação de carteiras Altamiro Silva Junior, do Estadão Conteúdo Nova York - O Brasil foi o país emergente que mais perdeu espaço nas carteiras dos fundos...

Arranjo de pagamento da Mastercard com Itaú começa neste ano

30/03/2015 14:53
Andrew Harrer/Bloomberg MasterCard: a bandeira fará a gestão do produto que é uma "evolução" em linha com o mercado de cartões que além de "grande", é "sofisticado" Aline Bronzati, do Estadão Conteúdo São Paulo - O novo arranjo de pagamentos de MasterCard e Itaú Unibanco,...

Petrobras contrata três bancos para vender ativos.

19/03/2015 15:37
Petrobras contrata três bancos para vender ativos Paulo Whitaker/Reuters Logotipo da Petrobras visto em refinaria em Cubatão: estatal precisa vender ativos para passar por 2015 sem acessar o mercado externo Cristiane Lucchesi e Sabrina Valle,...

As pedras no caminho de Levy: o ajuste está indo pra frente?

17/03/2015 16:43
Simon Dawson/Bloomberg   Joaquim Levy em conferência em Davos em janeiro de 2015 Simon Dawson/Bloomberg   São Paulo – No último 27 de novembro, momentos após ser confirmado como ministro da Fazenda, Joaquim Levy sentou na frente das câmeras e anunciou que o...

Vale transfere fatia em empresa na Guiné para BSG

14/03/2015 16:22
Divulgação Vale: empresa ressaltou que isso não significa qualquer renúncia no direito da mineradora de cobrar da BSGR a perda dos investimentos na parceria Da REUTERS São Paulo - A Vale informou que transferiu nesta sexta-feira sua participação acionária na joint venture...
<< 3 | 4 | 5 | 6 | 7 >>