Brasil vira maior comprador de dívida dos EUA com alta do real

17/06/2011 16:21

País investiu US$ 13,4 bilhões em notas do Tesouro americano, mais que qualquer outro país e quase o dobro das compras feitas pela China

 
Ye Xie e André Soliani, da

Stock Exchange

Estados Unidos

Dados foram compilados pelo Tesouro dos Estados Unidos

Nova York e Brasília - O Brasil está se tornando o maior comprador mundial de títulos da dívida dos Estados Unidos mesmo após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticar as compras de Treasuries pelo Federal Reserve para estimular a economia americana.


Em abril, o País investiu US$ 13,4 bilhões em notas do Tesouro americano, mais que qualquer outro país e quase o dobro das compras feitas pela China, segundo dados compilados pelo Tesouro dos EUA. O Brasil elevou em 6,9 por cento o volume de títulos americanos em carteira, a maior expansão desde outubro de 2009, atingindo o recorde de US$ 207 bilhões. A China, maior detentora de Treasuries no mundo, e a Rússia estão reduzindo suas posições nesses titulos nos últimos seis meses.

As aplicações brasileiras em dívida americana disparam à medida que o Banco Central atua no mercado de câmbio para conter a alta de 44 por cento do real nos últimos dois anos e meio. O rendimento nos títulos de dois anos da dívida brasileira é mais de 12 pontos percentuais superior ao que pagam os papéis do governo americano com o mesmo prazo, o que atrai capital estrangeiro para o mercado local.

”Não há muito que se possa fazer com uma grande quantidade de dólares, a não ser comprar Treasuries”, disse Paul McNamara, que administra US$ 7,5 bilhões em ativos de mercados emergentes na GAM Investment Management Ltd. em Londres. “Apesar do Brasil estar preocupado com o enfraquecimento do dólar, o País olha para a situação com frieza - prefere pagar o preço e ter um certo nível de desenvolvimento industrial e emprego, sem se preocupar com a exposição.”

Reservas recorde

A diferença entre as taxas das Notas do Tesouro Nacional série F com vencimento em 2013 e as dos títulos americanos com prazo semelhante aumentou para 12,1 pontos percentuais, perto do maior prêmio desde dezembro de 2008, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Investidores que buscam oportunidades de rendimento mais alto que as taxas próximas de zero nos EUA e no Japão estão despejando dinheiro no Brasil, alimentando a alta do real. A entrada líquida de moeda estrangeira no Paí em transações comerciais e financeiras chegou a US$ 39,5 bilhões neste ano, superando o total de US$ 24 bilhões registrado em todo o ano passado, segundo o BC.

A autoridade monetária brasileira já comprou US$ 35,8 bilhões neste ano até meados de junho, mais que o dobro dos US$ 14 bilhões adquiridos no mesmo intervalo do ano passado, como parte dos esforços para evitar que o fluxo fortaleça ainda mais o real. As reservas brasileiras cresceram 16 por cento neste ano para o recorde de US$ 336 bilhões. Em 27 de abril, o dólar atingiu sua menor cotação desde agosto de 2008, a R$ 1,557.