Bunge desativa unidade de processamento no RS

16/01/2014 21:05

Unidade foi desativada em um ambiente tributário no Brasil que favorece vendas da matéria-prima em detrimento do produto processado

Germano Lüders

Terminal com grãos de soja, da Bunge

Terminal com grãos de soja, da Bunge: companhia segue ainda com seis unidades de processamento de soja no Brasil

São Paulo - A Bunge Brasil, subsidiária da multinacional do agronegócio com sede nos Estados Unidos, desativou na quarta-feira sua unidade de processamento de soja em Passo Fundo (RS), informou a empresa nesta quinta-feira.

A unidade da Bunge, líder global no processamento e comercialização de oleaginosas, foi desativada em um ambiente tributário no Brasil que favorece vendas da matéria-prima em detrimento do produto processado.

"Alguns fatores concorreram para esta decisão... Alguns desses fatores têm impactado as atividades de esmagamento de soja no nosso país, favorecendo a venda de grãos em detrimento do processamento de produtos como óleo e farelo", declarou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.

Com um ambiente tributário difícil, a ociosidade das indústrias de esmagamento de soja do Brasil cresceu em 2013 apesar de uma safra recorde, segundo avaliação da Abiove (a entidade que representa o setor), divulgada no ano passado.

O principal entrave é o sistema do PIS e da Cofins. A empresa paga PIS/Cofins na aquisição da soja para o esmagamento, gera créditos tributários proporcionais, mas tem poucas opções para usar esses créditos. A maior parte dos produtos processados é desonerada, incluindo o óleo de soja.

A Bunge segue ainda com seis unidades de processamento de soja no Brasil (Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, duas em Mato Grosso e Piauí).

Segundo a Bunge, a decisão de fechar a unidade gaúcha não afetará as demais atividades da empresa no município de Passo Fundo, nem no Estado do Rio Grande do Sul.

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"A empresa manterá todas as demais instalações em funcionamento na cidade: um silo para armazenagem de grãos, além de atividades comerciais, administrativas e logísticas." A Bunge disse ainda que continuará participando ativamente do mercado gaúcho, fornecendo farelo a seus clientes e comprando e movimentando grãos da região, e que manterá suas demais unidades no Estado e na região Sul.

Dos 110 funcionários de Passo Fundo, 40 serão demitidos. Serão mantidos os funcionários que atuam em outros setores (comercial, administrativo, logística e armazenagem) ou aqueles que possam ser transferidos para outras unidades da empresa, de acordo com a disponibilidade de vagas e interesse deles pela transferência.

Em outubro, após reportar prejuízo trimestral, a Bunge sinalizou planos de deixar o seu deficitário negócio de açúcar no Brasil, fazendo da multinacional a primeira grande do agribusiness a avaliar a saída de um mercado que já foi aquecido, tendo atraído bilhões de dólares em investimentos. Até o momento, nenhum acordo foi fechado.