Cautela, reunião da UE e Grécia dominam início da semana

30/01/2012 10:42

Crescimento e emprego seriam o foco da cúpula, mas a ausência de progressos concretos nas negociações na Grécia deve colocar Atenas no centro das discussões

Paula Laier, da

Jamie McDonald/Getty Images

Default temporário da Grécia

País está perto de fechar um aguardado acordo de troca de dívida com credores privados

São Paulo - A semana começava com cautela nas principais praças financeiras internacionais, onde agentes monitoram nova reunião de líderes da União Europeia - a 17a em dois anos. Crescimento e emprego seriam o foco da cúpula, mas a ausência de progressos concretos nas negociações na Grécia deve colocar Atenas no centro das discussões.

O primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, se reuniu com líderes de partidos políticos de sua coalizão no domingo na tentativa de persuadir as lideranças a apoiarem dolorosas reformas exigidas pelos credores internacionais. Agora que a Grécia está perto de fechar um aguardado acordo de troca de dívida com credores privados, a atenção está se voltando às difíceis negociações com credores que querem novas medidas de austeridade antes de entregarem recursos de um pacote de ajuda de 130 bilhões de euros.

"As negociações não estão fáceis", afirmou Papademos, em comunicado, após o encontro com as lideranças. Em entrevista ao jornal Bils, o ministro da Economia da Alemanha, Philipp Roesler, disse que a Grécia deve entregar o controle da sua política orçamentária para instituições externas, caso não consiga implementar as reformas exigidas pelas medidas de socorro da zona do euro. "Precisamos de mais liderança e monitoramento no que se refere à implementação das reformas".

Dados de gasto e renda nos Estados Unidos podem corroborar alguma melhora caso revertam a esfriada nos ânimos gerada pelo PIB na semana passada, que frustrou expectativas, enquanto a agenda brasileira traz dados sobre a dívida pública federal, a inflação medida pelo IGP-M, projeções do mercado sobre as principais variáveis econômicas do país apuradas pelo Banco Central no Boletim Focus e o desempenho da indústria paulista.

Às 7h30, o MSCI para ações globais perdia 0,45 por cento e para emergentes, 0,84 por cento. O índice europeu FTSEurofirst 300 caía 0,86 por cento e o futuro do norte-americano S&P 500 recuava 0,71 por cento - 9,3 pontos. O MSCI de ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão verificava decréscimo de 1,2 por cento. Em Tóquio, o Nikkei fechou em baixa de 0,54 por cento. O índice da bolsa de Xangai voltou de uma semana de feriado com queda de 1,47 por cento. Entre as moedas, o euro depreciava-se 0,82 por cento, a 1,3118 dólar. Um leilão de 8 bilhões de euros em títulos italianos, incluindo vencimento de 5 e 10 anos, também era amplamente monitorado.

O índice DXY, que mede o valor do dólar ante uma cesta com as principais divisas globais, aumentava 0,42 por cento. Em relação ao iene, o dólar era cotado a 76,68 ienes, ante 76,67 ienes na última sessão. No caso das commodities, o petróleo do tipo Brent recuava 0,39 por cento em Londres, a 111,02 dólares, enquanto o barril negociado nas operações eletrônicas em Nova York perdia 0,66 por cento, a 98,90 dólares. O ministro do Petróleo do Irã disse no domingo que o Estado islâmico cortará em breve as exportações da commodity a "alguns países", segundo a agência estatal de notícias Irna. Mas, no domingo, o parlamento iraniano decidiu adiar o debate sobre uma lei para suspender as exportações à UE.