Corretoras de alta frequência mudam o foco para mercados emergentes

13/04/2011 13:46

 

Por Jeremy Grant de Londres | Financial Times

13/04/2011

Regis Filho/Valor

 

    Corretoras de alta frequência estão correndo em grande número para mercados emergentes, como o Brasil, onde as bolsas estão modernizando seus sistemas

    Os baixos volumes negociados e a acirrada concorrência levaram a uma queda acentuada nas transações "de alta frequência", num momento em que especialistas no setor advertem que os dois últimos anos de crescimento acelerado podem estar chegando ao fim.

Em vez disso, as corretoras de alta frequência estão correndo em grande número para mercados emergentes, como Rússia, Brasil e México, onde as bolsas estão começando a modernizar seus sistemas para atrair esses participantes.

    As corretoras de alta frequência empregam sistemas de transações automatizados para entrar e sair dos mercados em alta velocidade, com períodos de manutenção de posições de frações de segundo.

    A prática passou a ser observada de perto por reguladores americanos e europeus, que querem saber se ela dá liquidez aos mercados - como afirmam seus defensores - e se as transações de alta frequência aumentam ou reduzem a volatilidade dos mercados.

No entanto, a expansão desse tipo de transação desacelerou significativamente nos EUA e na Europa, disseram especialistas do mercado na terça-feira.

    O Índice Vix, gerado pela Bolsa de Opções de Chicago e também conhecido como "indicador de medo de Wall Street", vem caindo sistematicamente desde o segundo trimestre do ano passado, embora tenha registrado temporariamente um salto durante o terremoto que assolou o Japão.

    Larry Tabb, principal executivo da consultoria Tabb Group, disse que as transações de alta frequência respondiam atualmente por 54% do total das transações com ações nos EUA, parcela menor que a estimativa anterior do Tabb de 61%, em 2009. O nível na Europa caiu de 38% no ano passado para 35%, embora o Tabb preveja uma pequena alta mais para o fim deste ano.

    "Isso tem muito a ver com o fato de os volumes e a volatilidade terem dificultado em muito a operação desses participantes", disse Larry Tabb.

    A corrida armamentista tecnológica também está prejudicando a lucratividade. Peter Nabicht, vice-presidente executivo da Allston Trading, uma corretora com sistema proprietário sediada em Chicago, disse: "Estamos assistindo à expansão louca da concorrência, e estamos assumindo grande queda das nossas margens devido ao investimento que fazemos em nossos sistemas. Eu não me surpreenderia em assistir à venda de algumas corretoras de transações de alta frequência."