CSN pretende ir à CVM contra Usiminas

18/04/2011 11:55
Autor(es): Denise Carvalho | De São Paulo
Valor Econômico - 18/04/2011

 

 

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) votou contra a proposta da Usiminas que altera o valor de reembolso a acionistas, aprovada em assembleia realizada na quinta-feira, segundo apurou o Valor. Agora, como foi derrotada na votação, a companhia estuda apresentar reclamação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra a Usiminas, por entender que os controladores da empresa não podiam votar na mudança estatutária por existir conflito de interesse.

Pela nova regra, a Usiminas passará a usar o patrimônio contábil, no lugar de valor apurado por peritos, para pagar investidores que quiserem vender suas ações. Para o mercado, a mudança facilita a entrada do grupo Gerdau no bloco de controle da companhia mineira.

Segundo fontes que estavam presentes na assembleia, a CSN também fracassou na tentativa de indicar um representante para o conselho fiscal. Dona de 8,6% das ações ordinárias (ON) e de 5% das preferenciais (PN) da Usiminas, a CSN não conseguiu se articular com outros acionistas para fazer a nomeação.

Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) e os fundos de investimentos Lazard Asset Management e Black Rock são alguns dos minoritários que detêm ações da siderúrgica mineira.

A indicação para o conselho fiscal foi feita pelo BNDES: a economista Heloísa Regina Guimarães de Menezes como titular e o economista Victor Guilherme Tito como suplente.

Procurada pela reportagem, a CSN não comentou o assunto.

Trata-se de um duplo revés para a CSN, controlada pelo empresário Benjamin Steinbruch, que vem tentando comprar ações da Usiminas para conseguir ao menos um assento no conselho de administração e participar das decisões estratégicas da companhia.

No fim de janeiro, a CSN confirmou ao mercado ter feito aquisições em bolsa e já deter 4,99% das PN e 5,03% das ON da Usiminas. Hoje, a CSN já detém 8,6% das ações com direito a voto.

Segundo fontes próximas da CSN, o empresário Steinbruch foi às compras quando teria descoberto, no fim de 2010, que a Gerdau estava em negociações com os grupos Votorantim e Camargo Corrêa para comprar suas respectivas participações.

Steinbruch quer impedir que a Gerdau se torne o maior grupo siderúrgico do Brasil, ampliando o tamanho em relação à CSN, diz um executivo próximo da CSN.

O voto da CSN na assembleia vinha sendo bastante aguardado pelo mercado porque indicaria o quanto Steinbruch teria avançado nas suas intenções.

O voto contrário revelaria, portanto, que Steinbruch não chegou a um acordo com os acionistas do bloco de controle da Usiminas - Nippon Steel, Votorantim, Camargo Corrêa e Caixa dos Empregados da siderúrgica - para ingressar no grupo.

Por essa razão, minoritários ouvidos pelo Valor interpretam que a proposta de modificação no estatuto pode ter sido uma condição do grupo Gerdau para entrar na Usiminas.

A alteração do critério do reembolso para patrimônio contábil diminui o valor total de desembolso a ser pago pela Usiminas aos acionistas que exercerem a retirada. O direito de recesso é garantido pela legislação em alguns casos específicos, como cisão e mudança na composição do bloco de controle das empresas.

Procurada, a Gerdau comentou, por meio da assessoria de imprensa, que os rumores são improcedentes. A Usiminas não se manifestou.