Lula abriu Cuba às empresas brasileiras, diz Odebrecht

05/05/2015 21:32
Adalberto Roque/AFP
Vista do porto cubano de Mariel

Vista do porto cubano de Mariel: a Odebrecht liderou a construção do porto, um investimento de US$ 1 bilhão na ilha

Blake Schmidt e Michael Smith, da Bloomberg

O CEO da Odebrecht SA, Marcelo Odebrecht, disse que o conglomerado brasileiro de sua família confiou no então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abrir caminho para a empresa em Cuba.

A Odebrecht SA, dona da maior construtora da América Latina, liderou a construção do porto de Mariel, um investimento de US$ 1 bilhão na ilha comunista, financiado com empréstimos subsidiados do BNDES.

Agora, as operações da empresa em Cuba, e a forma como foram financiadas, estão sendo apuradas no Brasil.

O Ministério Público Federal abriu uma investigação preliminar sobre tráfico de influência para descobrir se Lula usou suas conexões para convencer o BNDES a oferecer empréstimo subsidiado aos projetos da Odebrecht.

Após deixar a presidência, Lula voou em jatos de Odebrecht durante turnês de palestras ao exterior patrocinadas pela firma, disse o CEO.

“O único país onde de fato iniciamos e crescemos e temos que dizer que a relação ajudou muito é Cuba", disse Odebrecht, 46, em entrevista no dia 27 de abril, em referência à relação com Lula.

Ele nega qualquer irregularidade, dizendo que não há fundamentos para uma investigação e que o inquérito do MPF é apenas um “pedido de esclarecimento”.

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O ex-presidente já não mantinha nenhum cargo público quando viajou com Odebrecht e tem realizado palestras para empresas de diversos setores, disse Paulo Okamotto, presidente da fundação de Lula, conhecida como Instituto Lula, em um comunicado.

Investigação no Congresso

O BNDES disse em sua página no Facebook que Lula não interferiu nas decisões do banco e que seus empréstimos foram aprovados em um processo independente envolvendo os especialistas do banco.

O BNDES disse que, assim como as agências de exportação de crédito de outros países, o banco financia as exportações para criar empregos no Brasil e ajudar as empresas brasileiras a competir no exterior.

O Congresso também poderá investigar os empréstimos do banco com sede no Rio de Janeiro. Parlamentares de oposição juntaram assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os empréstimos do BNDES a projetos como Mariel.