Marfrig vende ativos de logística por US$400 milhões

19/09/2011 11:01

Empresa informou ter fechado negócio com a multinacional Martin-Brower para vender o braço de logística adquirido quando realizou a compra da Keystone Foods


Roberto Samora, da

Claudio Rossi/EXAME.com

Marfrig: maiores despesas

O presidente da Marfrig negou que o negócio tenha relação com os ativos que o Cade mandou a Brasil Foods vender

São Paulo - Depois de realizar cerca de duas dezenas de aquisições nos últimos anos e se tornar uma das mais diversificadas empresas de alimentos do mundo, chegou a vez de o brasileiro Marfrig vender.

 

A companhia informou neste domingo ter fechado negócio com a multinacional norte-americana Martin-Brower para vender o braço de logística adquirido quando realizou a compra da Keystone Foods, no ano passado.

Pela Keystone, assumida no início de 2011 e que tornou o Marfrig o maior fornecedor do McDonald's, a companhia pagou 1,2 bilhão de dólares. E agora o frigorífico brasileiro vende o braço de logística da Keystone por 400 milhões de dólares, com o objetivo de focar no núcleo do negócio da empresa, a produção e comercialização de carnes.

"Recebemos uma oferta muito boa e vendemos esse braço (do negócio) que não é do 'core' nosso, para focar no segmento nosso", disse o presidente do Marfrig, Marcos Molina, à Reuters.

Como negócio estratégico, Molina considera carnes bovina, suína, de aves, de peixes e produtos elaborados.

A operação vendida, basicamente caminhões e armazéns, envolve os serviços de logística especializada para redes de alimentação nos EUA, Europa, Oriente Médio, Oceania e Ásia, com exceção da joint venture criada recentemente com a COFCO para o desenvolvimento de logística na China.

O montante pago pela Martin-Brower --especializada em logística e soluções para o mercado de food service-- deve entrar no caixa do Marfrig no último trimestre do ano.

"Sem dúvida, 400 milhões de dólares reforça muito o caixa... fica numa situação bem confortável", afirmou o presidente, referindo-se à melhora na relação de dívida/Ebitda.

A companhia terminou o segundo trimestre com uma dívida bruta de 10,3 bilhão de reais, com um indicador de alavancagem de 3,9 vezes, alta contra os 3,59 vezes do primeiro trimestre, após a aquisição da Keystone.

Questionado se os recursos da venda poderiam ser utilizados para novas aquisições, Molina soltou uma gargalhada.