O novo desejo do mercado: que a BRF vire uma Nestlé tropical

11/04/2013 11:50

Com Abilio na presidência do conselho, mercado espera que a BRF diversifique sua atuação e se torne uma empresa de alimentos

Size_80_marcio-juliboniMárcio Juliboni, de
Germano Lüders/EXAME.com

Abilio Diniz

Abilio Diniz, novo presidente da BRF: mercado vê chance de salto da empresa com nova gestão

 
São Paulo – Sob o comando de Nildemar Secches, a BRF tornou-se uma das maiores empresas de proteína animal do mundo. Agora, com o empresário Abilio Diniz à frente da companhia, os analistas esperam uma nova fase: a transformação da BRF em uma Nestlé dos Trópicos
 

A expectativa do mercado foi captada por um relatório do Bank of America Merril Lynch (BofA), assinado pelos analistas Fernando Ferreira e Isabella Simonato. “Vemos um crescente interesse dos investidores em compreender se é possível uma mudança radical da estratégia da BRF, e se a empresa poderia se tornar uma companhia de alimentos processados (como a Nestlé, Danone e muitas outras)”, escrevem os analistas.

A principal razão do desejo dos investidores em ver grandes mudanças na BRF é torná-la mais rentável. Segundo o BofA, nos últimos três anos, a BRF apresentou uma margem líquida de 2,9% a 5,3%, “bem menor” que a da Nestlé (10% a 12%) e Danone (8% a 11%).

Concentração

A baixa rentabilidade da empresa, segundo os analistas, decorre da concentração da BRF em produtos de baixo valor agregado. De acordo com o BofA, a carne de frango ou porco representaram 41% das vendas da empresa e 81% de suas exportações no ano passado.

A Nestlé, por exemplo, gera 45% das vendas com produtos em pó, como o Nescafé, e 55% de alimentos industrializados, como pratos congelados, sorvetes e água mineral. O BofA admite que os industrializados apresentam uma margem menor que os produtos em pó, mas observa que ela é maior na Nestlé que a gerada pela BRF.

Outro ponto criticado pelos analistas é a concentração das exportações da BRF em poucos países – sobretudo o Oriente Médio e o Japão, que representam 54% da demanda da brasileira. Para a Nestlé, a América do Norte a Europa Ocidental representam, cada uma, cerca de 25% das exportações.

Para que a BRF se transforme em uma Nestlé tropical, o BofA propõe três passos. O primeiro seria investir em produtos de maior valor agregado. Isso passaria pela redução do peso das vendas de leite e carne in natura, e a concentração em alimentos processados, como pratos congelados e derivados de leite.

O segundo passo seria diversificar as exportações e os mercados externos. O banco lembra que, em 2011, a BRF apresentou um plano de cinco anos para expandir sua atuação no exterior, justamente investindo em produtos de maior valor agregado. A internacionalização da empresa, aliás, é uma das grandes apostas dos analistas para a gestão de Abilio Diniz no conselho de administração.

A última medida seria focar em maior rentabilidade, e não em crescimento de receitas. “A companhia ainda conta com a maioria de suas receitas geradas de segmentos de baixa margem e, portanto, muito ainda poderia ser obtido se o mix de produtos fosse melhorado”, afirma o relatório.

Resumindo, o franguinho que se tornou símbolo da Sadia, uma das marcas da BRF, precisa encorpar. Por mais simpático que ele pareça, os investidores querem mesmo é que a empresa apresenta voos mais altos.