Usiminas seria mais afetada por possível racionamento de energia, diz BofA

09/01/2013 10:32

Analistas do banco apontam que empresa corre risco de queda na produção e queda na demanda de aço

Por Paula Barra - Infomoney

SÃO PAULO - A falta de chuvas e a má gestão do setor elétrico nacional fizeram o País chegar a uma situação limite de um possível racionamento. O alerta foi disparado pela convocação da presidente Dilma Rousseff para uma reunião emergencial com a cúpula do setor nesta quarta-feira (9), mas os estragos disso podem se espalhar para outros cantos da economia - como as siderúrgicas. 

Num cenário de racionamento, o Bank of America Merrill Lynch indica que a Usiminas (USIM3; USIM5) seria a companhia mais atacada do setor, já que a empresa gera apenas 25% da energia que utiliza. Os analistas Thiago Lofiego, Felipe Hirai e Karel Luketic explicam que a Cemig (CMIG4) fornece de 65% a 70% de energia para a companhia num contrato com duração de cinco anos e que expira em 2019. Mas o risco de racionamento forçaria a elétrica a reduzir a energia fornecida, que hoje corresponde a 320 MegaWatts médios, o que acabaria provocando uma queda na produção da siderúrgica.

Usiminas: siderúrgica mineira deve ser a mais prejudicada no setor com possível apagão, avalia BofA (Reuters)
Usiminas: siderúrgica mineira deve ser a mais prejudicada no setor com possível apagão, avalia BofA (Reuters)

Além disso, a empresa possui uma alta exposição ao mercado doméstico, e que deve enfrentar um risco de demanda. "Pensamos que o consumo e a confiança dos investidores provavelmente serão atingidos, ou seja, o consumo de aço no Brasil declinaria - notando que o setor automotivo foi fortemente impactado no racionalmento de 2001", avaliam. 

CSN e Gerdau sofrem menor impacto
Por sua vez, os analistas apontam que a CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) teriam um impacto menor nesse cenário. 

A CSN é autossuficiente em energia, por meio de suas participações nas usinas hidroelétricas de Itá e Igarapava e sua central termelétrica própria no Rio de Janeiro. E, por isso, em caso de racionamento de energia, a central termelétrica da companhia não seria afetada, estimam os analistas. 

Além disso, eles ressaltam que a exposição no minério de ferro reduz riscos, já que a dinâmica da demanda segue o comportamento global. 

Já a Gerdau detém uma participação de 51,8% no Consórcio Dona Francisca e também possui as usinas hidroelétricas Caçu e Barra dos Coqueiros, num total de 220 MW de capacidade de energia, o que significa 40% de integração. Eles comentam ainda que a empresa seria menos afetada pela sua diversificação geográfica.

Os analistas reiteram recomendação underperform (desempenho abaixo da média) para as ações da Usiminas e Gerdau, enquanto indicam call neutro para Gerdau. 

Setores que mais (ou menos) impactados pela energia, na visão do BofA
Na véspera, o BofA traçou um cenário com base nos setores que deverão ser mais afetados, assim como aqueles que serão pouco impactados em um ambiente de contenção de energia.

Apesar de melhor preparadas, o setor industrial deve enfrentar um racionamento da produção caso os níveis de água nas hidrelétricas se tornem mais baixos; o setor de autopeças devem ser os mais afetados. Também entre os mais prejudicados, está o setor de eletrônicos com o declínio do volume de vendas no curto prazo. 

Já os setores que devem apresentar um desempenho acima da média do mercado, apesar do racionamento, estão o financeiro, o de consumo e o de telecomunicações. Os bancos não devem apresentar impacto nas suas operações, avaliam os analistas, somente em caso de uma desaceleração econômica.

Além disso, varejistas têxteis e companhias ligadas ao consumo não-cíclico, como a Ambev (AMBV4), devem sofrer um impacto limitado na demanda e a maiores custos operacionais, uma vez que deve acionar geradores e reduzir os horários de atendimento em loja.

Últimas Notícias

Petrobras cria precedente perigoso ao não pagar dividendo

19/05/2015 21:23
Paulo Whitaker/Reuters Logo da Petrobras em frente prédio da companhia: a Petrobras informou que não pagaria dividendos para preservar o caixa Paula Arend Laier, da REUTERS São Paulo - O não pagamento de dividendos pela Petrobras aos acionistas preferencialistas pode...

Lula abriu Cuba às empresas brasileiras, diz Odebrecht

05/05/2015 21:32
Adalberto Roque/AFP Vista do porto cubano de Mariel: a Odebrecht liderou a construção do porto, um investimento de US$ 1 bilhão na ilha Blake Schmidt e Michael Smith, da Bloomberg O CEO da Odebrecht SA, Marcelo Odebrecht, disse que o conglomerado brasileiro de sua...

Petrobras termina 2014 com 5.200 funcionários a menos

26/04/2015 18:51
REUTERS/Sergio Moraes A queda mais expressiva de funcionários terceirizados deve ser explicada pela decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de investimentos em 2014 André Magnabosco, do Estadão Conteúdo São Paulo - A crise que atingiu a Petrobras no ano passado colocou fim a uma...

Mastercard quer atingir milhões com acordo com Banco Mundial

23/04/2015 19:41
REUTERS/Soe Zeya Tun MasterCard: esse é um passo da estratégia da empresa de universalizar o acesso financeiro até 2020 Karin Salomão, de EXAME.com São Paulo - A MasterCard firmou uma parceria com uma instituição do Banco Mundial para atingir milhões de pessoas que ainda não têm...

OGPar depende de acordo com donos de plataformas

14/04/2015 21:29
Divulgação Plataforma de petróleo da OGX: segundo o presidente da empresa, a OGPar a empresa precisa fechar com urgência a negociação com os donos dos direitos de aluguel das plataformas Mariana Sallowicz, do Estadão Conteúdo Rio - Após fechar novo acordo na semana passada com os...

Fundos estrangeiros reduzem aplicação em ativos brasileiros

04/04/2015 15:00
FreeImage Dólar: expectativa de elevação dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, vem provocando realocação de carteiras Altamiro Silva Junior, do Estadão Conteúdo Nova York - O Brasil foi o país emergente que mais perdeu espaço nas carteiras dos fundos...

Arranjo de pagamento da Mastercard com Itaú começa neste ano

30/03/2015 14:53
Andrew Harrer/Bloomberg MasterCard: a bandeira fará a gestão do produto que é uma "evolução" em linha com o mercado de cartões que além de "grande", é "sofisticado" Aline Bronzati, do Estadão Conteúdo São Paulo - O novo arranjo de pagamentos de MasterCard e Itaú Unibanco,...

Petrobras contrata três bancos para vender ativos.

19/03/2015 15:37
Petrobras contrata três bancos para vender ativos Paulo Whitaker/Reuters Logotipo da Petrobras visto em refinaria em Cubatão: estatal precisa vender ativos para passar por 2015 sem acessar o mercado externo Cristiane Lucchesi e Sabrina Valle,...

As pedras no caminho de Levy: o ajuste está indo pra frente?

17/03/2015 16:43
Simon Dawson/Bloomberg   Joaquim Levy em conferência em Davos em janeiro de 2015 Simon Dawson/Bloomberg   São Paulo – No último 27 de novembro, momentos após ser confirmado como ministro da Fazenda, Joaquim Levy sentou na frente das câmeras e anunciou que o...

Vale transfere fatia em empresa na Guiné para BSG

14/03/2015 16:22
Divulgação Vale: empresa ressaltou que isso não significa qualquer renúncia no direito da mineradora de cobrar da BSGR a perda dos investimentos na parceria Da REUTERS São Paulo - A Vale informou que transferiu nesta sexta-feira sua participação acionária na joint venture...
<< 3 | 4 | 5 | 6 | 7 >>